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Liderando Para a Vida Toda

Nov 1 2019

O protagonista do livro de Daniel é um jovem hebreu que, junto a três de seus amigos, havia sido escolhido para servir ao rei Nabucodonosor da Babilônia. Esses jovens seriam preparados para uma vida de realeza e seriam parte da elite do palácio.

“Disse o rei: ‘Escolha somente rapazes saudáveis e de boa aparência, que sejam instruídos em diversas áreas do conhecimento, que tenham entendimento e bom senso e sejam capacitados para servir no palácio real. Ensine a esses jovens a língua e a literatura da Babilônia’. O rei determinou que recebessem, da cozinha real, uma porção diária de alimento e vinho. Os rapazes seriam treinados durante três anos e depois passariam a servir ao rei.

Daniel, Hananias, Misael e Azarias, todos da tribo de Judá, estavam entre os escolhidos. O chefe dos oficiais lhes deu novos nomes babilônios (…)

Contudo, Daniel decidiu não se contaminar com a comida e o vinho que o rei lhes oferecia. Daniel pediu permissão ao chefe dos oficiais para não comer esses alimentos, a fim de não se contaminar.”
Daniel 1:4-8 (NVT)

A intenção do rei era comprar a fidelidade de cada um desses jovens e tê-los como servos no reino. Para isso, a doutrinação de Nabucodonosor se dividia em três etapas. Em primeiro lugar, o chefe dos oficiais mudou o nome dos jovens. Não usariam mais os seus nomes hebreus, mas novos nomes babilônicos. Na segunda etapa, lhes ensinariam o idioma e a literatura babilônica. Assim, não somente lhes dariam uma nova identidade, como também seriam educados de acordo com a sua cultura. Finalmente, a comida e os privilégios do rei lhes eram oferecidos para que se acostumassem com a qualidade de vida que teriam após seu treinamento.

Daniel não se opôs ao nome que lhe foi dado, pois sabia quem era e não se importava com como era chamado. Ele também não se opôs à educação babilônica, pois sabia no que acreditava. Daniel não tinha medo em correr esse risco. No entanto, havia algo a que Daniel se recusava: comer os alimentos da mesa do rei, porque isso implicaria em uma verdadeira comunhão com o sistema cultural da Babilônia.

É fascinante a maneira como Daniel viveu e liderou ao longo de sua vida. Quando lemos sua história, podemos encontrar quatro “C” de liderança que o acompanharam em seu processo de crescimento, levando-o a posicionar-se com firmeza no lugar onde Deus o ergueu. Essas palavras podem nos inspirar em nossa própria liderança:

 

CONVICÇÕES

O versículo 8 inicia dizendo que Daniel se propôs a não se contaminar com a comida do rei. Da mesma forma, em nossa liderança, não podemos agir sem as convicções corretas. Quais são as suas convicções? Eu tenho a convicção de que a igreja é a esperança do mundo e, por isso, entrego a minha vida para edificá-la. Ninguém mudará essa convicção, já que foi criada em mim pelas Escrituras. Tenho a convicção de que devo amar a Deus e às pessoas. Tenho a convicção de ser um líder genuíno. Minha liderança está baseada nessas convicções.

Existem passos muitos simples que te ajudarão a estabelecer convicções:

1. Ler a Bíblia.
2. Meditar sobre ela.
3. Orar pelo que foi meditado.
4. Buscar em Deus que a verdade se transforme em revelação.

Daniel tinha convicções firmes quando entrou no palácio aos 15 anos pois havia conhecido a Deus.

 

COMPROMISSO

Daniel não somente tinha convicções, mas também estava completamente comprometido com as suas convicções. Ele não se importava com a cultura de seu tempo. Nosso compromisso deve falar de nossas convicções. Daniel era diferente dos outros, estava comprometido a não ser como eles pois tinha a convicção de representar a Deus no meio de uma cultura obscura. Hoje também vivemos em uma cultura obscura e, se queremos fazer a diferença, devemos mostrar Deus em nossas vidas. Quando nossas convicções são firmes, nos comprometemos com elas. Como está seu nível de compromisso? Se o seu nível de compromisso estiver fraco, o motivo pode ser as suas convicções que não estão firmes.

 

CARÁTER

As convicções geram compromisso e o compromisso produz caráter. No capítulo 3 de Daniel vemos que Nabucodonosor fez uma estátua de ouro que refletia sua imagem, assim, quando soasse a trombeta, todos na Babilônia dobrariam os seus joelhos e a adorariam. Todavia, Daniel, por ter a convicção de não adorar a ninguém além de seu Deus, se negou a fazer isso. Daniel teve o caráter para manter-se firme em meio a uma cultura que estava totalmente vazia de Deus, uma vez que estava comprometido com as suas convicções. Foi preciso caráter para dizer “não”, não dobrar os seus joelhos e para adorar a Deus enquanto todos os demais adoravam a uma estátua.

Quando mantemos nossos compromissos em função de nossas convicções, o caráter correto é produzido e nos mantém firmes em meio a qualquer situação. Você tem o caráter necessário para dizer “não” ao que não é certo e “sim” ao que é certo? Suas convicções criarão um compromisso para um caráter que reflete a grandeza de Deus.

 

CONSTÂNCIA

Daniel, ao longo de sua vida, serviu a quatro reis na Babilônia. Foi constante em seu serviço e em sua fidelidade. Ele enfrentou muitas mudanças, muitas trocas de liderança durante o seu serviço. No entanto, ele foi fiel durante toda a sua vida. Muitas vezes somos fiéis por um tempo, pensando que nossa fidelidade momentânea abrirá as portas à uma temporada melhor. E se as portas não se abrem, deixamos de ser fiéis. Dessa maneira, reduzimos nossa fidelidade a momentos, ao passo que uma liderança que reflete a Deus da maneira correta é uma liderança para toda a vida. Nossa fidelidade deve existir em cada instante das nossas vidas, em cada situação, em todas as temporadas.

É muito interessante que Daniel foi constante em sua fidelidade e serviu sem interesses pessoais. No entanto, somente chegamos à constância quando temos convicções e quando estamos comprometidos com elas; essas convicções, então, produzem caráter e esse caráter nos leva a um nível de constância em que o maior desafio de nossas vidas não irá sacudir a nossa fé, não desafiará nossa fidelidade, pois sabemos quem somos, em quem cremos e para que fomos chamados.

Daniel serviu, até sua velhice, a quatro reis diferentes na Babilônia. Não importou-se com as mudanças de liderança. Não importou-se com as mudanças de decisões daqueles reis, pois sua fidelidade era com o reino, mesmo o reino não sendo seu. Reconheceu que Deus o havia posicionado naquela posição para que muitos pudessem conhece-Lo.

Quando vivemos com Convicções, o Compromisso com elas produzirá Caráter, e esse caráter nos levará a sermos Constantes durante todos os momentos de nossas vidas.