Erradicando o racismo: um ponto de partida

Jun 12 2020

Com a contínua instabilidade e os acontecimentos terríveis mais recentes nos Estados Unidos – os assassinatos brutais de George Floyd, Breona Taylor, Ahmaud Arbery e a longa lista de todos aqueles que vieram antes deles – parece que o mundo todo está acordando e avaliando o racismo e a discriminação dentro de sua nação. 

Racismo institucional e estrutural precisam ser eliminados em um nível governamental, com mudanças na polícia e na legislação, mas também precisam ser abordados em um nível individual e pessoal para ser algo verdadeiramente transformador.

Cada um de nós possui vieses e preconceitos – conscientes e inconscientes. Isso não quer dizer que você não seja uma pessoa boa, que obedece a lei, trabalhadora e gentil. Você pode até mesmo se surpreender com o que é, de fato, ser preconceituoso em relação à raça ou com as pequenas coisas que apoiam o racismo estrutural onde você vive.

Se você está interessado em aprender como você pode se posicionar de maneira individual e prática na sua vida hoje, uma das primeiras coisas que você pode fazer é olhar para os questionamentos e afirmações abaixo, fazer um balanço interno e honesto, e avaliar que tipo de mudanças você pode fazer.

Como foi dito, depois de ficar ciente disso, você não pode dizer que não sabia.

Os questionamentos listados abaixo são resultado de experiências vividas por negros, indígenas e pessoas de cor. Você pode não reconhecer essas questões como racistas, mas elas apoiam o sistema de privilégio. Faça essas perguntas a você mesmo antes de perguntá-las a outras pessoas:

  1. Eu conto piadas racistas ou com conotações racistas que elevam uma raça sobre a outra?
  2. Eu sou alguém que estaria rindo dessas piadas?
  3. Eu escuto essas piadas e não digo nada, mesmo sabendo que não está certo?
  4. Eu já diminui alguém de outro contexto racial? Acariciei sua cabeça, toquei seu cabelo sem permissão, fiz piada sobre sua altura ou aparência, ou fiz piada sobre sua pele bronzeada?
  5. Eu já tirei sarro do sotaque de alguém?
  6. Ao conversar com alguém com pele mais escura, eu digo que ela tem uma aparência “exótica”?
  7. Eu já comentei que todos parecem iguais, em relação a um grupo de pessoas específico?
  8. Eu já disse para alguém com uma pele mais clara: “Mas você é tão claro! Você não parece ser de ‘tal lugar’… Você é miscigenado?
  9. Eu já disse: “Você não precisa de protetor solar, você é moreno/negro”?
  10. Quando falo de uma pessoa de outra raça ou de outro contexto cultural, eu falo mais baixo ou sussurro quando falo de sua cor de pele ou raça, por exemplo: “Ele era negro/asiático/hispânico” etc?
  11. Numa reunião social, eu tenho a tendência de perguntar para as pessoas de cor de onde elas realmente vieram ou quais são suas origens? Com que frequência eu faço a mesma pergunta para pessoas brancas?
  12. Eu já fiz afirmações abrangentes ou generalizadas que estereotipam outra raça ou religião? “Todos os muçulmanos são extremistas” ou “Asiáticos são péssimos motoristas”?
  13. Eu já julguei o modo de criação ou fiz suposições sobre crianças de outras culturas da sala do meu filho e expressei essas opiniões em frente ao meu filho ou em frente a outros pais, perpetuando uma percepção negativa daquela cultura?
  14. Eu, de vez em quando, uso termos pejorativos para pessoas de outros contextos culturais de maneira humorística ou casual?
  15. Eu já ri ou ignorei o desconforto de alguém em alguma situação, mesmo após eles reiterarem o quanto estão desconfortáveis ou terem pedido, por várias vezes, para eu não falasse ou fizesse mais isso?
  16. Eu já disse para essas pessoas que elas estavam exagerando ou sendo muito sensíveis?
  17. Se alguém aponta que algo que eu disse foi pejorativo ou racista, eu imediatamente fico na defensiva?
  18. Eu já disse: “Eu não sou racista, eu tenho amigos negros”?
  19. Com quem eu me sociabilizo regularmente? Todos eles se parecem comigo? Todos eles são do meu contexto cultural?
  20. Como o líder de uma equipe ou de uma organização, grupo esportivo comunitário ou igreja, permito que negros, indígenas ou pessoas de cor não apenas tenham um lugar à mesa, mas também passo o microfone para que elas contribuam, de modo regular, com suas próprias opiniões na mesa?
  21. Eu procuro ativamente ter diversidade cultural na equipe de liderança ao meu redor?
  22. Eu falo demais ou interrompo negros, indígenas ou pessoas de cor em reuniões?
  23. Eu descarto ou desacredito suas contribuições porque não são o que quero ouvir?
  24. Eu atenuo ou não participo de discussões raciais porque tenho medo de perder seguidores/apoiadores/patrocinadores?
  25. Como escritor/blogueiro/fotógrafo/cinegrafista/influencer, eu me coloco como herói nas histórias de negros, indígenas ou pessoas de cor, ou eu os deixo contar suas histórias sem interferência?
  26. Ao produzir documentários ou gravações, eu foco apenas nas pessoas negras, indígenas ou de cor que estão falando?
  27. Como fotógrafo, como eu capto pessoas de outras culturas nas minhas fotografias? Qual é o meu propósito em fazer isso? Eu sempre peço permissão e digo a eles onde as fotos serão usadas, e dou a eles a oportunidade de vê-las ou de negar que eu tire sua foto? Estou dando a eles dignidade nas fotos que tiro?
  28. Eu estou sempre ou frequentemente na foto?

Essas são algumas das características diárias do racismo individual e estrutural e do privilégio branco. São perguntas que podemos nos fazer, lutar seriamente contra e trabalhar para erradicar do nosso próprio comportamento e forma de pensar.

Está na hora de denunciar a nós mesmos e de sermos corajosos o suficiente para denunciar nossos amigos e familiares; de pedir mudança para nossos governos federais ou municipais, com amor e graça, mas também sempre com a verdade.

Se mais de nós fizermos isso, nós podemos começar a demolir as estruturas que perpetuam a natureza estrutural do racismo em nossa sociedade. Se não, nós nos tornamos cúmplices em preservar esse sistema – um sistema que não podemos mudar se não estivermos dispostos a mudar a nós mesmos.

Cuide de sua saúde mental no processo. Não é um trabalho fácil e você vai precisar de tempo para processar tudo se isso for novidade para você. Procure conselhos sábios, ore, mas não se esconda se achar isso difícil. Você tem sorte, pois está em uma posição privilegiada e que permite que você se eduque em vez de aprender por experiência.

Então, posicione-se. Trabalhe. Seja prudente e assuma a  responsabilidade para si. Faça isso em silêncio. Não fique postando nas redes sociais o quão difícil é ou focando em si próprio. Com o tempo, o fruto do seu trabalho duro será evidente na sua vida. Lembre-se da razão pela qual estamos fazendo isso. Isso é para um mundo onde todas as pessoas são capazes de ficar ombro a ombro, umas com as outras, com os direitos e as liberdades distribuídos igualitariamente para toda a humanidade, independente da sua cor ou crença.

Nikki Sealey

Hillsong Justiça Social

 

 
Mais recursos em:

The Colour Sisterhood Catalogue é uma lista de documentários, livros, filmes, séries e podcasts para ajudá-la a aprender mais sobre problemas enfrentados pelas pessoas ao redor do mundo que podem não fazer parte da sua própria vivência.